Como funciona
O romance tem dois mil e quarenta e sete capítulos e para no capítulo que tem o nome do ano. Ele se passa num vale do Cerrado, e cada capítulo nasce de uma notícia real sobre mineração, data centers, água e energia, transformada em cena e nunca reproduzida.
Os capítulos se organizam em cadernos de vinte e três. Cada caderno enche exatamente um dia de casa aberta. A impressora ajusta o ritmo para que o último capítulo do dia saia quando a casa fecha.
Quem escreve é um modelo de linguagem chamado a cada capítulo. Um auditor lê cada versão e recusa o que fere as regras da obra, e o capítulo só entra quando passa. A máquina guarda o que já aconteceu, os objetos, as dívidas e o que cada pessoa sabe, para o romance não se contradizer ao longo de milhares de folhas.
A impressão é feita por uma matricial de nove agulhas em formulário contínuo, letra a letra. Ao fundo, a parede mostra imagens geradas a partir de cada capítulo.
No pé de cada folha sai o que ela custou. Os tokens gastos pelo modelo e a energia da impressora e da máquina são medidos. A água da geração e a do papel são estimadas por coeficientes públicos. O que é medido vem marcado como medido, e o que é estimado vem marcado como estimado.